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domingo, 31 de julho de 2016

Santo Inácio de Loyola, presbítero (Memória)-31/07

Inácio gostava muito de ler livros mundanos e romances que narravam supostos feitos
heroicos de homens ilustres. Assim que se sentiu melhor, pediu que lhe dessem alguns
deles, para passar o tempo. Mas não se tendo encontrado naquela casa nenhum livro
deste gênero, deram-lhe um que tinha por título A vida de Cristo e outro chamado
Florilégio dos Santos, ambos escritos na língua pátria.
 Com a leitura freqüente desses livros, nasceu-lhe um certo gosto pelos fatos que eles
narravam. Mas, quando deixava de lado essas leituras, entregava seu espírito a
lembranças do que lera outrora; por vezes ficava absorto nas coisas do mundo, em que
antes costumava pensar.
 Em meio a tudo isto, estava a divina providência que, através dessas novas leituras, ia
dissipando os outros pensamentos. Assim, ao ler a vida de Cristo nosso Senhor e dos
santos, punha-se a pensar e a dizer consigo próprio: “E se eu fizesse o mesmo que fez
São Francisco e o que fez São Domingos?” E refletia longamente em coisas como estas.
Mas sobrevinham-lhe depois outros pensamentos vazios e mundanos, como acima se
falou, que também se prolongavam por muito tempo. Permaneceu nesta alternância de
pensamentos durante um tempo bastante longo.
 Contudo, nestas considerações, havia uma diferença: quando se entretinha nos
pensamentos mundanos, sentia imenso prazer; mas, ao deixá-los por cansaço, ficava
triste e árido de espírito. Ao contrário, quando pensava em seguir os rigores praticados
pelos santos, não apenas se enchia de satisfação, enquanto os revolvia no pensamento,
mas também ficava alegre depois de os deixar.

No entanto, ele não percebia nem avaliava esta diferença, até o dia em que se lhe
abriram os olhos da alma, e começou a admirar-se desta referida diferença.
Compreendeu por experiência própria que um gênero de pensamentos lhe trazia tristeza,
e o outro, alegria. Foi esta a primeira conclusão que tirou das coisas divinas. Mais tarde,
quando fez os Exercícios Espirituais, começou tomando por base esta experiência, para
compreender o que ensinou sobre o discernimento dos espíritos.

Da Narrativa autobiográfica de Santo Inácio, recolhida de viva voz pelo Padre Luís

Gonçalves da Câmara(Séc.XVI)

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